2014-06-05 18.06.33
"A Insustentável Empresa da Cera"
exposição presente 13 September a 02 October


A insustentável empresa da cera

A dialética do mel e da cera

Só quem faz cera faz mel. É assim no mundo das abelhas, e o senhor de La Fontaine que tenha paciência, mais as suas moralidades de insectos.

Um milhão de neurónios num milímetro cúbico de cérebro para fazer cera, primeiro, e depois passar a fabricar mel. A cera da juventude, o mel da maturidade: durante a sua vida, uma abelha produz o equivalente a 1/6 de colher de café de mel. Para chegar a fazê-lo, passou os primeiros tempos, necessariamente, a fazer cera.

Optimização

As abelhas não gostam de nicotina. A optimização química, sim. A optimização genética também. A optimização agroalimentar não optimiza a alimentação das abelhas. A optimização humana vai direita ao mel, dispensa a cera – um desperdício de tempo e de «recursos», fazer cera. Colmeias são alugadas por empreendedores apícolas a empreendedores agrícolas, para polinizar as colheitas. Por esse mundo fora, viajam em camiões, de campo de trabalho em campo de trabalho. Para as abelhas, a orientação espacial em relação à sua colmeia é vital: ter referências, conhecer a vizinhança, cultivar relações.

O que vêem as abelhas

Tudo o que é vermelho para nós será negro no mundo das abelhas. Que paisagens verão as abelhas que perderam o norte? Que manchas representarão para elas as novas realidades, o admirável homem novo? Que cores de terra, na terra em constante mudança? Terra de Siena? Terra queimada?

Surpresa, melancolia, ironia ou horror. A paisagem do desastre, o grande desenho do terror fez-se a preto e branco, no século XX. A paisagem das abelhas perdidas, retrato de uma insustentável empresa humana, desenha-se aqui em claro-escuro : instantes quotidianos, flashes, meditações sobre destinos e realidades, auto-ironia, voos picados, intermezzos, quedas, animais de companhia,gingles, quadradinhos de banda desesnhada, gestos abruptos, homens-insectos.

E a cera, a inevitável cera: vidas de artista, é o que é.

A.P. Julho, 2014

 

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"Enquanto Um Guia Outro Homem Grita"
exposição presente 13 September a 02 October


“Once, the only reason Men kept Dogs was for food. Noting that among Men no crime was so abhorr’d as eating the flesh of another human, Dog quickly learn’d to act as human as possible,- and to pass this Ability on from Parents to Pups.” Thomas Pynchon, “Mason & Dixon”

“Enquanto Um Guia Outro Homem Grita” é uma tradução do título One Man Drives While the Other Man Screams de um album gravado ao vivo da banda de rock experimental Pere Ubu. Como exposição, resulta do trabalho feito a partir de uma recolha de imagens a partir de arquivos on-line com o objetivo de estabelecer uma relação entre o poder (político, económico, etc) e a sua representação através da arquitetura, ao mesmo tempo que se tenta relacionar a sua acção com uma sucessão de desastres.